domingo, 8 de fevereiro de 2026

Quem eu seria se não tivesse tentado tanto?

Seria eu. Sem exaustão. Sem a fome de ser suficiente para quem só queria plateia. O que me impediu? Eu. A mania de provar amor a quem confundia verdade com espetáculo. Um dia cansei. Não dramaticamente. Cansei como quem morre em silêncio. Escrevi uma carta. Não para ser lida. Para acabar. Atirei-a ao mar porque havia coisas que só a água sabe engolir. Ali afoguei promessas, explicações, pedidos que nunca deviam ter sido feitos. Escrevi: se um dia eu desaparecer não chames isso de frieza. amar às vezes é sair antes que reste ódio. não é falta de amor é limite. o meu silêncio é o último gesto de cuidado que consegui ter. Depois disso não houve alegria. Houve paz. E a paz foi suficiente. Porque ali aprendi a amar sem me perder de mim.

Sem comentários: