domingo, 26 de junho de 2011

Não sei como é ter um pai

Não sei como é ter um pai quando portas se fecham antes mesmo de eu bater. Quando o silêncio responde onde deveria haver voz. Um pai que estivesse presente quando eu mais precisava, que me abraçasse e não humilhasse. Um pai com quem contar e partilhar a vida — mas tudo foi apagado como passos na areia ao vento. Não sei o que é sentir braços que me protejam, nem sorrisos que iluminem o meu mundo. Não sei dividir a felicidade com alguém que nunca esteve lá. Não sei a sensação de passear de mãos dadas, nem a amizade entre pai e filha. A ausência é como sombra que acompanha cada canto do meu ser. Mas sei o que é ter uma mãe. Seus abraços são luz nas minhas trevas, seu sorriso é porto seguro, seu amor é chão firme num mundo que por vezes balança. E mesmo no vazio que deixou, sei o que é amar, porque ela me ensinou a preencher a ausência com cuidado e calor.