domingo, 31 de março de 2013

Acorda!

Acorda desse sono odioso que me priva do teu charme. Perfeição suave dos teus olhos — num só movimento, entrego-me inteira. És meu céu, minha lua, meu céu ao amanhecer. Sem a tua luz, aprendo a viver na escuridão. A tua perfeição encantou-me. Diante de ti, sou indefesa. Esta noite, deixa-me adorar-te dentro dos meus próprios abraços. Como posso silenciar o meu coração? Ele bate como nunca bateu. A morte, comparada ao amor, é apenas um pensamento trivial. Os meus olhos estão vazios, até as lágrimas me abandonaram. O silêncio ocupa o meu coração. Já não sinto dor — apenas cansaço. Todos os sentimentos partiram, fiquei vazia, como a escuridão mais negra no centro da noite.

sábado, 16 de março de 2013

Vítima

Escrevo para esquecer os sofrimentos, para tentar calar esta dor que chora em silêncio sem ninguém a quem contar. Todas as preocupações, todos os problemas, talvez acabem quando eu partir. Todo o sofrimento que carrego levarei ao Pai — porque ele disse que eu herdaria todos os seus pecados. Ainda ecoa em mim o dia em que me disse que eu não devia ter nascido. A criação tornou-se o meu pior inimigo. Vejo como ele se transforma e, às vezes, pergunto a mim mesma se é mesmo meu pai. Essa dúvida traz lágrimas aos meus olhos. Permaneço de lado, observando. Sepultei tudo o que sentia, mas as feridas da humilhação continuam abertas, excessivamente afiadas. Luto pela liberdade sem saber o que é certo nem o que é errado. Pergunto-me quanto tempo isto ainda vai durar. Por que vim tão longe, tão rápido? Por que me sinto covarde? Os meus pés tremem na rua. É o medo que me chama pelo nome. No meio da cidade, olho em redor e quase não reconheço o que vejo. As lágrimas já não caem — são usadas apenas para executar a dor.

terça-feira, 5 de março de 2013

Prova de amor

Amar não é apenas dizer amo-te. É provar — e a prova que pedi tu nunca me deste. Escolheste vingar o sofrimento que te causei. Mas eu também sofri durante todos estes meses. Não sei se sabes, mas penetraste o meu coração e a minha alma. Pedi-te uma prova e ignoraste-me por completo. Há olhares e pensamentos profundos que fazem o coração tremer. Cheguei à conclusão de que queres derrotar-me. Que amor é esse que dizes sentir, se tudo indica vingança? Ando perdida numa procura constante por algo que me traga realização. Tento encontrar um caminho, entre descobertas, onde a dor tenha fim. Neste momento, tudo me impede. Falta-me força até para me levantar. Mas erguerei a cabeça a cada grosseria que tentaram impor-me. Vou ignorar, não vou sobrecarregar a mente. Não quero ser fruto do ódio. Serei forte — sem esquecer aqueles que não se esquecem de mim. Na vida, da morte do meu amor por ti nasce a rejeição. O meu exterior arde, e só sei deitar lágrimas. Se um dia desistir do nosso amor, é porque estarei quase a desaparecer. Já não terei forças para continuar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Quase a perder-te

Quase a perder-te Sabe que o que não é vivido hoje não será vivido amanhã. E mesmo que fosse, a intensidade jamais seria a mesma sem ti. Quando penso que a minha vida poderia ter sido diferente, começo a refletir sobre o que fiz e sobre o que deixei por fazer. Permaneço presa, por dentro, ao teu lado. Todos os dias carrego o arrependimento do sofrimento que te causei, por ter desprezado quem me dedicou tanto amor. O meu peito queima ao pensar em ti, como se estivesse a perder o grande amor da minha vida. Quero minutos teus — só meus. Quero fazer-te mais do que feliz. E tudo o que ainda está por vir, estou pronta para enfrentar. Vejo nos teus olhos o teu jeito de amar. Vejo no teu toque o prazer de amar-me. Esquecer-te seria perder a minha identidade, mudar quem sou, apagar a melhor parte da minha vida. E tudo isso porque te amo. O fantástico da vida é estar com alguém que transforma um pequeno instante num grande momento. Ver-te é um sopro de ar que me devolve a vida. Um grande amor terminado é como um golpe profundo: deixa sempre uma cicatriz. RESPOSTA: Sinto-te em cada pensamento, em cada suspiro que escapa do meu peito. Não há dia em que não veja a tua presença nos meus olhos, mesmo quando estamos longe. Sei do arrependimento que carregas, sei da dor que te queima por dentro. Mas não tenhas medo de sentir, não tenhas medo de amar. Os teus minutos são meus também, cada segundo ao teu lado faz o tempo parar. E tudo o que está por vir, enfrentaremos juntos. Vejo-te, sinto-te, e vejo o teu amor refletido em mim. Esquecer-te seria perder-me, apagar a melhor parte de mim — e não posso, não quero. O teu amor transforma-me como transforma cada instante em eternidade. Se há cicatrizes, elas contam a história do que fomos, do que somos, e do que ainda seremos. Não estamos sozinhos neste sentimento que queima e cura. Estou aqui, contigo, para cada lágrima, para cada riso, para cada sopro de vida que nos resta.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Desculpa, meu amor!

Tudo o que me resta agora é pedir-te mil desculpas. Fui burra, eu sei. Todos os motivos não foram suficientes para te manter. Qualquer obstáculo que eu criasse não seria forte o bastante para te deter. Sei que cada lágrima que deixo cair é pouco para acreditares em mim. Gostaria que soubesses que me alimento das nossas lembranças. Olho ao meu redor e vejo tanto vazio; parece que tudo morreu. Sem ti, o meu coração vira cinza. Desde a separação, toda a minha vida se tornou dor. Se disser que não te amo mais, seria mentir a mim mesma. Só posso afirmar com certeza: só o teu corpo consegue aquecer-me. Não sei como dizer-te tudo o que quero, por isso escrevo estas palavras. Jamais terei coragem de falar a verdade cara a cara. Sou uma parva. Eu amo-te demais. Quando te vejo, não consigo tirar os olhos de ti. Gostaria de sentir o teu corpo junto ao meu. Sei que estás magoado, mas amo-te mais do que qualquer palavra poderia dizer. Desculpa-me. Nem sempre as coisas acontecem como planeamos, nem sempre dizemos o que sentimos. Sei que te devo desculpas. O melhor que posso fazer agora é assumir o meu erro — e amar-te, mesmo na distância.