quinta-feira, 28 de abril de 2016

Eu aprendi...

Que a solidão é uma arma da fraqueza. Eu aprendi… que a solução dos problemas mora no tempo. Eu aprendi… que a dor física é mais fácil de suportar do que a dor da alma. Eu aprendi… que nada abafa o amor da família. Eu aprendi… que o sofrimento não vem para destruir, vem para fortalecer. Eu aprendi… que o passar dos dias é o caminho silencioso para alcançar os objetivos. Eu aprendi… que a compreensão muda completamente a forma de ver o mundo. Eu aprendi… que cada obstáculo é uma lição disfarçada da vida. Eu aprendi… a ser eu mesma, apesar de tudo. Eu aprendi… a deixar-me guiar pelo amor. Eu aprendi… que não se exige amor, ele acontece ou não fica. Eu aprendi… que amigos verdadeiros não têm prazo, são eternos. E eu aprendi… que quem não valoriza, perde.

domingo, 17 de abril de 2016

Amar-te é difícil

O teu amor chegou-me inesperado, como quem entra sem pedir licença e não fica. Dizem que sou louca por amar-te assim, por gostar de quem não gosta de mim. É duro admitir, mas é verdade. Parei para pensar e percebi que só vejo a tua imagem a brincar com a minha. Sem dar conta, virei o teu brinquedo. Calar é o meu dom. Reparar nos detalhes, a minha arte. A tua boca trai-te nas promessas que faz e no que diz. Nunca gostaste de ouvir a verdade inteira. Eu cansei. Quem ama cuida — como eu cuidei. Da tua parte, só recebi desprezo. Estou à chuva, a ver a minha vida desmoronar-se por ti. Nada é tão dramático quanto ser ignorada. Amar-te foi o meu maior castigo. O tempo ensina-me a esquecer… e eu já ando esquecida.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Oh, Pai...

Nunca te contei o quanto importo contigo, nem o quanto me fez falta ter um pai. Ofereci-te a minha alma, partilhei contigo a minha felicidade, e tu escolheste vendê-las aos diabos. Por onde me viro, sinto-me apertada. O que mais poderia ser se os cruéis riram da minha desgraça e ainda participaram nela até me explodirem por dentro? Perguntei tantas vezes: porquê? Causaste-me tanta dor que, no meio da multidão, perdi a minha existência. Porque me deixaste sozinha? Já não encontro o caminho de casa. Até as lágrimas me abandonaram. Dei-te a minha confiança. Acreditei que serias o meu guarda. Desiludiste-me. A tristeza ocupou a minha alma, já não sei nada de mim. Entrego tudo nas mãos de Deus. O tempo há de mostrar-me o caminho. Comecei a caminhada difícil. Não me atires para fora do coração dos meus irmãos. Que, onde pisarem, se lembrem de mim. Não gostas assim de mim, pai? Não sou nada para ti? Antes de todos me renunciarem, foste o primeiro. E eu estive sempre ao teu lado, em todas as dificuldades, quando aqueles que chamas amigos desapareceram à primeira oportunidade. Posso chorar todos os dias, mas sei que um dia levantarei o sol para não gastar a chuva — guardo-a para lavar o rosto. Duro, eu sei que é. Aprendi a aceitar o pior e a surpreender-me com o melhor. E todos os que esperam pela minha queda sentam-se agora para assistir à minha vitória.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Ser Mãe

Deixei a natureza transformar-me, com todas as suas belezas e leis. Tive o privilégio de sentir um grande amor crescer no meu ventre. Fui expulsa de casa duas vezes, ofendida tantas outras. A notícia da minha gravidez espalhou-se como manchete no jornal do mundo. Chorei de tristeza, mas alegrei-me no meu doce amor, que preencheu a minha alma. Vivi a sensação profunda de querer ser mãe. Assumi de Deus o dom da criação, da doação e do amor incondicional. Encarnarei, na Terra, essa divindade. Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento dentro da barriga, o instante maravilhoso em que a vida se concretizou diante dos meus olhos. Ainda desejo viver essa aventura: a boca a sugar o leite com vontade, o primeiro sorriso de reconhecimento. As noites sem dormir, o sofrimento das cólicas do bebé, a angústia dos choros inexplicáveis — e eu a tentar adivinhar: será dor, fome, fralda molhada ou apenas o desejo do meu colo apertado? A felicidade de vê-lo revelar-se nas suas características únicas, nas suas descobertas. Sentir a sua mão procurar a minha proteção, o corpo a aninhar-se debaixo dos cobertores. Assistir aos avanços, sorrir com as vitórias, aprender com as pequenas derrotas e ouvir as confidências. Ser mãe é descobrir que ainda se pode amar mais um homem: passar talco com cuidado, observá-lo sentado no chão a brincar. É aprender a expressar sentimentos com palavras simples, letras unidas em frases. É encher-se de alegria com uma gargalhada sincera, vibrar com cada objetivo alcançado. É tremer ao ouvir um grito aflito a chamar por mim: mãe. Ser mãe é descobrir que a vida ganha outro valor, mais alto, mais inteiro, depois da chegada de um filho. Tenho a certeza de que serei tudo isso — e mais. O meu doce filho não repetirá o sofrimento que vivi. Serei a sua guarda, a sua amiga e a sua mãe.