domingo, 17 de janeiro de 2016

Ser Mãe

Deixei a natureza transformar-me, com todas as suas belezas e leis. Tive o privilégio de sentir um grande amor crescer no meu ventre. Fui expulsa de casa duas vezes, ofendida tantas outras. A notícia da minha gravidez espalhou-se como manchete no jornal do mundo. Chorei de tristeza, mas alegrei-me no meu doce amor, que preencheu a minha alma. Vivi a sensação profunda de querer ser mãe. Assumi de Deus o dom da criação, da doação e do amor incondicional. Encarnarei, na Terra, essa divindade. Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento dentro da barriga, o instante maravilhoso em que a vida se concretizou diante dos meus olhos. Ainda desejo viver essa aventura: a boca a sugar o leite com vontade, o primeiro sorriso de reconhecimento. As noites sem dormir, o sofrimento das cólicas do bebé, a angústia dos choros inexplicáveis — e eu a tentar adivinhar: será dor, fome, fralda molhada ou apenas o desejo do meu colo apertado? A felicidade de vê-lo revelar-se nas suas características únicas, nas suas descobertas. Sentir a sua mão procurar a minha proteção, o corpo a aninhar-se debaixo dos cobertores. Assistir aos avanços, sorrir com as vitórias, aprender com as pequenas derrotas e ouvir as confidências. Ser mãe é descobrir que ainda se pode amar mais um homem: passar talco com cuidado, observá-lo sentado no chão a brincar. É aprender a expressar sentimentos com palavras simples, letras unidas em frases. É encher-se de alegria com uma gargalhada sincera, vibrar com cada objetivo alcançado. É tremer ao ouvir um grito aflito a chamar por mim: mãe. Ser mãe é descobrir que a vida ganha outro valor, mais alto, mais inteiro, depois da chegada de um filho. Tenho a certeza de que serei tudo isso — e mais. O meu doce filho não repetirá o sofrimento que vivi. Serei a sua guarda, a sua amiga e a sua mãe.

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