" Não te quero por um dia, não te quero por um ano. Te quero por toda vida, te quero porque te amo. " "E sempre te amarei do fundo,do meu coração"
domingo, 11 de outubro de 2015
Amor impura
Posso suportar a solidão.
O desprezo, não.
Deixaste a alma ferida,
uma cicatriz no coração
e no ventre.
Cansei-me de fingir que estava tudo bem.
Sempre conduziste a história
como quem manda,
não como quem ama.
Agora recolho-me.
Arranco o mal do peito
e entrego-o ao fogo.
Disseste que eu era a única.
Falaste em família,
em lutar juntos contra o mundo.
Mentiras vestidas de promessa.
O erro foi meu:
acreditar.
Recomeço.
Mudo de vida.
Escolho-me.
Estás habituado a ferir,
mas um dia aprenderás o peso do choro.
A saudade há de invadir-te
como um quarto sem janelas.
Sentirás na alma
o que é sofrer.
E aprenderás, tarde,
o valor do que perdeste.
A partir de hoje, ajo pela razão.
As palavras que proferes
nascem do coração —
e é isso que te condena.
Porque dele brotam
maus intentos,
imoralidades,
falsos testemunhos,
blasfémias.
O teu orgulho é cruel.
Impuro foi o fruto
arrancado do meu ventre
numa dor viva, irreversível.
Não derramo mais lágrimas
por um amor impuro.
Será memória sem ternura,
água pesada,
mal sem cura.
A tua alma tornou-se impura
porque o teu coração
não permitiu a entrada do amor.
Resta-te apenas
sentires-te suficiente
para ti mesmo.
O zumbido anuncia a escuridão.
Não preciso de um anel no dedo
para saber
que sou mulher.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Caneta
caneta,
musa dos trovadores,
ádito do meu amor,
companheira da amargura,
mãe da desventura.
Escreve a ansiedade,
em linhas onde manifesto pensamentos
e derramo sentimentos.
Essa tinta que desliza no papel,
grava palavras
como a história da minha vida,
que hoje ordeno
e guardo dentro de mim.
A minha mão comanda a caneta,
mas é a mente quem a governa.
Entre o som da trombeta e do sino,
há um toque pontiagudo na alma que sente:
só a caneta preenche o meu vazio.
Minha amada caneta,
tão variada —
das mais simples
às mais sofisticadas e elegantes.
Como Deus criou o mundo
e o pintou com as cores mais lindas,
também estas palavras
jamais se apagarão.
Assim transformo a tinta
num belo seguimento regular,
onde a dor encontra forma
e o silêncio aprende a falar.
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