" Não te quero por um dia, não te quero por um ano. Te quero por toda vida, te quero porque te amo. " "E sempre te amarei do fundo,do meu coração"
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Roubo
O ladrão conhece o instante exato do ataque,
age na ausência, pontual nas ocupações alheias.
Quando alguém o vê,
aprende a dissolver, lentamente, os próprios pecados.
Quando ninguém observa,
com cúmplice à espreita ou não,
repete negações como quem reza mentiras.
Por dentro, ri com gosto,
nas longas tardes frias da consciência.
Visualiza a tristeza da vítima,
veste a própria máscara,
cobre-se para não ser visto…
o ladrão abriu a mala.
Na sala, não havia luz.
Achou o cenário ideal.
A chama do desejo
bastava-lhe para avançar na direção do erro.
— olhou —
— virou —
Mistura-se entre os outros, onde há mais gente.
Finge conversa, mas segue em frente.
Os olhos denunciam o interesse:
o tesouro.
Suspira de alegria,
esfrega as mãos, embriagado de felicidade.
E a vítima, desesperada,
no instante da verdade, tenta parecer inocente.
Por fora, o medo.
Por dentro, o esconderijo.
Foge dos outros
e aperta-se a si própria
na escuridão.
domingo, 30 de setembro de 2012
Razão
O amor já não é amor se se altera,
se se dobra em arco
com a distância do partir.
Oh não — é flecha e arco,
que enfrenta tempestades
sem nunca tremer.
O amor aparece quando menos se espera,
de onde menos se imagina.
Amei-te desde o instante em que te vi,
mas preferi esconder este amor
e sofrer em silêncio.
Amei-te sabendo
que jamais serias meu,
e ainda assim continuo a amar
aquele que o destino me deu.
Um dia amei alguém para te esquecer.
Hoje, para te esquecer,
não consigo amar ninguém.
Às vezes paro, viro-me e suspiro.
Analiso o mundo e chego a uma conclusão:
ainda tenho razão para continuar,
olhar as tuas imagens
com um sorriso sereno.
Entretanto,
é curioso observar
como uma criança se transforma em alegria.
O destino separou-nos,
mas continuo a amar-te.
sábado, 22 de setembro de 2012
O amor no início
Uma das coisas que aprendi
é que se deve viver
sem riscar o futuro ao longe.
No começo do amor,
tudo é perfeito:
não há problemas,
nem complicações.
Milhões de palavras são gastas
logo na primeira semana.
No início, só se conjuga
o verbo amar.
Depois do fim,
aprende-se o verbo magoar.
Vive-se perdida
entre tantas falsas máscaras
que o outro usa.
Alguns casos parecem amor,
e juram ser definitivos para amar.
Mas, afinal, é o contrário:
não querem amar,
querem apenas estar presos
à palavra amar,
e não à solidão.
O amor que se diz inseparável
é, muitas vezes, o que menos dura.
Porque no começo
somos extraordinários —
pelo menos na ilusão.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Inveja
Tanta inveja,
tanta humilhação.
Senti-me perdida,
esmagada,
só.
Desde o instante
em que me espetaste
uma faca nas costas.
Dei-te a minha amizade
e rasgaste-a.
Deixei-te caminhar
sobre o meu caminho
e tentaste mandar
no meu coração.
Não sou o animal
que pisas quando queres.
Sou serva do meu Criador,
não dos invejosos.
Vim a este mundo
para cumprir a minha missão,
não para criar inimigos
nem deixar que me esmaguem.
domingo, 8 de julho de 2012
Ninguém me ouve
Ninguém me ouve.
É como se eu estivesse nas nuvens,
a gritar em vão.
Por isso, resolvi mascarar-me
sob o nevoeiro.
Havia um ímpeto
a escaldar-me no sangue;
nem um raio de sol conseguia ver,
perdida na imensidão do universo.
Decidi subir montanhas altas,
na esperança de ver a luz resplandecer.
É uma triste verdade
esta pouca — ou nenhuma — fé
no desinteresse dos outros.
Não há explicação mais difícil de aceitar
do que aquela que se justifica
num sentimento nobre,
renunciado aos próprios desejos
e à própria qualidade
de quem gosta de dar.
É preciso duvidar de nós mesmos
para aprender a desconfiar do próximo.
Porque, afinal,
a mais exata — e a que nunca falha —
natureza do coração humano
só se alcança
pelo estudo do próprio coração.
Esse é o único que nos é claro.
Talvez por isso
as melhores almas
sejam sempre
as mais ingénuas.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
O meu espaço
O meu espaço parecia-me pequeno
demais para conter tanta alegria.
Naquele instante,
precisava da chuva
para me molhar por dentro.
Há em mim uma simpatia irresistível
por ti.
Ocupa um lugar na minha vida,
mesmo quando tento afastar
a tua imagem do pensamento.
Nunca imaginei
que a minha vida pudesse ser
tão bela,
nem tão cheia.
As lembranças vieram-me ao espírito
sem sombras,
sem obstáculos.
A tua insistência surgiu
quase sem aviso.
O teu olhar trazia inquietação.
Não encontro palavras
para romper este silêncio.
O arrependimento passou
como um relâmpago.
Procurei lembrar os nomes
daqueles cuja felicidade invejei.
E percebi:
não havia ninguém
mais feliz do que eu.
Tudo à minha volta tenta destruir.
Tudo o que penso ser bom
é chamado de mau.
Criticam-me com o olhar,
ao passar só ouço gargalhadas.
Não sou nada —
mas nada me deita abaixo.
Pelo contrário, ignoro.
Não digo tudo o que queria dizer.
Perdoa-me,
assim como perdoei
o mal que me causaram até agora.
Se algum dia tentarem separar-nos
ou se algo me acontecer,
lembra-te disto:
não somos perfeitos,
mas mostramos ao mundo
que o nosso amor é mais forte
do que aquilo que tentaram causar.
Já saboreei os teus lábios
e sentimos o poder
a correr nas veias.
Não compreendo —
só sei o quanto te amo,
mesmo quando interferem
no nosso amor.
Amo-te como quem fica
presa ao solo,
como se ali estivesse sepultada
uma parte do meu coração.
Os meus pensamentos
estão cheios de amor.
É sempre difícil
É sempre difícil consolar
uma dor que não se sente.
Só lamento não ser capaz
de acalmar o meu próprio sentimento.
Um suor frio cobriu-me o rosto.
Para quê ouvir
as palavras dos outros,
se pediam o fim do meu romance,
quando eu já amava demais este amor?
Chegou o tempo de enxugar as lágrimas,
para que não me vejam,
para que não saibam
que estou a chorar.
A solidão do caminho
lembrava-me o vazio do coração.
Então as lágrimas voltaram a cair —
chorei convulsivamente.
Depois fiquei sem forças.
Olhava as nuvens a passar
e deixava os pensamentos
correrem depressa
por paisagens abandonadas.
O meu encanto inesperado
tinha-o, com certeza, transtornado.
Recordo-me da última vez
em que o beijei
sem medida.
Deixar de amá-lo
seria mentir
a mim própria,
a cada instante.
Sentia as lágrimas
subirem-me aos olhos.
O amor que despertou em mim
abriu o coração ao entusiasmo.
E os meus lábios
ainda guardam a sua imagem
neste mundo solitário.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Amor não correspondido
Não é fácil
quando um homem se fecha no silêncio
e uma mulher ainda quer acreditar.
É querer alguém
e não poder tê-lo.
É tentar fugir
e levar um tiro no peito.
Como é difícil viver um amor impossível
com o coração em chamas.
Sem poder ter
o amor que sempre desejou,
o corpo treme
enquanto o olhar atravessa a alma
de forma avassaladora.
Ficamos apenas no olhar,
sem saber como sentir,
como tocar este corpo ausente.
Fica o desejo de lembrar
o sabor
desses lábios doces
que sabem a mel.
É doloroso existir
sem conseguir seguir em frente.
Difícil esquecer
este amor não correspondido.
Vontade de desviar-se,
mas também de provar
o fruto proibido.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O mar
Eu vou ficar perto do mar,
quero recordar aqueles tempos
em que eu era apenas pessoa.
Vou ao mar —
ou melhor, entro nele.
Porque o pôr do sol
mais bonito que já vi
foi lá.
E é ali que quero
continuar a vê-lo.
Tenho muitas recordações
que quero guardar.
Se alguma vez sorri,
foi lá
que comecei.
As ondas são como páginas
da minha vida:
vão e vêm,
calmas ou perigosas.
O mar é o meu mundo silencioso,
onde a inquietação
não me atinge.
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