sexta-feira, 11 de maio de 2012

É sempre difícil

É sempre difícil consolar uma dor que não se sente. Só lamento não ser capaz de acalmar o meu próprio sentimento. Um suor frio cobriu-me o rosto. Para quê ouvir as palavras dos outros, se pediam o fim do meu romance, quando eu já amava demais este amor? Chegou o tempo de enxugar as lágrimas, para que não me vejam, para que não saibam que estou a chorar. A solidão do caminho lembrava-me o vazio do coração. Então as lágrimas voltaram a cair — chorei convulsivamente. Depois fiquei sem forças. Olhava as nuvens a passar e deixava os pensamentos correrem depressa por paisagens abandonadas. O meu encanto inesperado tinha-o, com certeza, transtornado. Recordo-me da última vez em que o beijei sem medida. Deixar de amá-lo seria mentir a mim própria, a cada instante. Sentia as lágrimas subirem-me aos olhos. O amor que despertou em mim abriu o coração ao entusiasmo. E os meus lábios ainda guardam a sua imagem neste mundo solitário.

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