sábado, 9 de novembro de 2019

Sou lembrança

Sou ar de mistério, atraio olhares ao meu redor. Sou água — não me misturo com petróleo. Fascino quem tenta compreender minhas emoções. Reforço meu lado intuitivo para enfrentar as dificuldades do cotidiano. Com a sensualidade à flor da pele, conheço o meu potencial. Sou forte, não me intimido com desafios, tenho os pés no chão. Não vivo nas nuvens a sonhar: planejo e concretizo. Sou exigente porque dou o máximo. E, por isso, espero o mesmo empenho dos outros. Carrego intensidade, possessividade, sinceridade e orgulho. Não sou para brincadeiras. Se pensas que é fácil satisfazer-me, enganas-te. Não aceito metades. Levo a vida a sério, em profundidade, sem superficialidade, com honestidade e amor em prática. Para mim, amor é muito mais do que afeto, amizade. É sinceridade e entrega total. Acredito no curso natural das coisas: quando tem de acontecer, tudo conspira a favor. Sê cauteloso diante das minhas atitudes. Não me curvo a nada nem a ninguém. Meu temperamento no amor é complexo demais — não tentes entender-me, respeita-me. Se não conseguires acompanhar meus valores, especialmente a confiança, sabe: a relação será difícil. Não me resumo à cobrança. Um dos meus maiores traços é a compaixão. Não julgo pelo feio ou bonito, pois minha intuição enxerga além dos estereótipos. Quando amo, faço de tudo para que o outro se sinta completo. E só a falta de caráter ou a mentira são capazes de me decepcionar. Não me entrego por inteiro sem observar. Eu estudo. Nunca tentes enganar-me. Minha intuição é afiada — mentiras e falsidades não passam despercebidas. Para conquistar-me, é preciso transparência, entendimento e a mesma intensidade que se espera receber. Às vezes faço-me de tola para ver até onde vai a capacidade humana. Sou lembrança: por mais que tentes esquecer, a memória volta. Sou água que apaga o fogo, bombeira que te salva quando estás aflito. Sou palavra que sacode teu pensamento, selvagem que te leva ao céu, loucura que te faz remexer, música que te faz dançar. Sou fogo que aquece. Sou muito mais do que isso. Tu sabes.

domingo, 28 de julho de 2019

Eu já amei demais

O amor fez-me cega. Meus olhos insistiam em não ver, enquanto o coração sentia e sangrava em silêncio. Cresci a ver a transformação do amor: antes era cuidado mútuo, agora é salve-se quem puder. Amor já não é amor. Um simples “bom dia” deixou de existir. Enquanto eu amava e me entregava, recebia fogo no peito. Lancei minha voz ao vento, gritei alto a minha dor. Recebi apenas o silêncio — um grito distante, um lamento abandonado. Alimentei a desilusão, abracei a solidão, desse desespero profundo que se instalou no meu coração. Se pensas que ainda me podes magoar, pensa melhor. Meu coração deixou de amar e, por isso, já não sofre. Se pensas que me podes enganar, para. Eu deixei de acreditar, desisti de bem-querer. Se pensas que me podes fatigar, olha mais além: eu parei de chorar. Já não sofro por amor.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Não preciso

Aprendi que só vale pagar o mal com o bem. Perdoei todas as maldades feitas contra mim. Perdoei, sim — todas as lágrimas lançadas e derramadas. Perdoei quem fala mais de mim do que da própria vida. Percebi: isso nasce da frustração. A minha vida, afinal, é mais interessante. Ser como eu exige nascer de novo. Não preciso pisar ninguém para ser feliz. Não preciso do amor de homem, nem de ninguém, para existir inteira. Não preciso de bruxaria para prender amor algum. Preciso apenas de amor-próprio. Cuido do que é meu, do que vejo ser útil cuidar. Não mendigo sentimentos. Quero amor verdadeiro e divino, não ilusões feitas de feitiço — porque um dia tudo isso acaba e a escuridão cobra o preço. Sei que esquecer é mais difícil do que perdoar. Mas acredito na força do amor e do perdão. Maravilhoso é o poder do bem: capaz de transformar o mal em aprendizado e o ódio em luz.