sábado, 28 de julho de 2018

A menina do sorriso disfarçado

Ela esconde-se atrás de um sorriso. À noite, pousa a cabeça na almofada e não consegue fechar os olhos sem deixar cair mais uma lágrima. O progenitor nunca lhe mostrou amor, nem nos dias importantes. Nunca lhe deu apoio. Nos piores momentos da vida, foi pisada. As pessoas passam a vida a julgar. Escutam sem ouvir, sem conhecer a verdadeira história. Atiram palavras ao vento e lançam olhares envenenados. A menina rejeitada, maltratada. Tudo isso dói. Pergunto-me: é justo? Ela guarda tudo dentro de si. Sorri, finge estar bem — uma máscara para esconder o sofrimento. Há sempre uma razão por trás daquele sorriso. É triste como a cegueira humana causa tanta dor. Desde o início, será que ela não queria divertir-se? Ela também é jovem. Ir a concertos, rir, viver, ter coisas simples para fazer. Às vezes sente-se hipócrita: ajuda pessoas depressivas, dá conselhos, anima. Mas ninguém faz isso por ela. Dizem apenas: “olha aquela caseira”. Ninguém conhece a tempestade que vive dentro dela. Tudo está destruído e silencioso. O dia nasce e lá está a menina, à espera que o céu escureça, porque é na noite que se sente segura. Não é fácil acordar e pensar: fogo… mais um dia de más lembranças, mais um dia com vontade de chorar a toda hora. Ela é diferente. É aquela de quem os outros precisam. Maldita seja essa vida onde é natural falar mal e rir da desgraça alheia. Todos querem ser juízes. Poucos sabem ser justos. Falam do que não conhecem. Nem toda a gente que é boa na rua é boa em casa. Antes de julgar, procura conhecer a história. Porque, às vezes, o que parece verdade é apenas uma grande mentira.

Sem comentários: