segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Chora o coração

Chora o coração por tentar entrar numa vida que não era minha. Bebi da fonte da infelicidade e derramei lágrimas de ingratidão, lágrimas de tristeza, onde nunca houve confiança entre nós. E, ainda assim, não consigo esquecer. A minha vida tornou-se queixume. Jurei tantas vezes não verter mais lágrimas, mas continuei a sofrer na amargura. Carrego o meu enfraquecimento, onde qualquer infeliz pisa e passa. Nunca digo: sou feliz. Nunca houve alguém que mo dissesse. Hoje o coração chora e escalda. Jurei não chorar mais, mas o coração é teimoso. Um sonho sem esperança. Perdi o caminho. Feriram-me com fogo e agulhas. Ser excluída fere, aflige, rouba a paz do coração. A dor não se dissipa, parece um feitiço que não se quebra. Despedaça o coração com violência. Viver assim, sem razão, é chorar por estar preso. É um modo de querer doente, um demónio sem indulto. Arde, é picante, queima apenas quando consumo. De tanto chorar, secaram as águas dos meus olhos, e o coração permanece apertado. É uma vida sem amor, sem amizade, sem ternura, sem bondade. Uma realidade que me agrada apenas por ainda estar ligada ao teu coração. Na minha boca ficou o sabor dos teus sorrisos. Na tua cama ficou o perfume do meu suor. Nos meus pensamentos, as lembranças do bem e do mal. E no meu coração, a marca das tuas mentiras. Sinto-me expulsa da tua vida.

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