sábado, 1 de janeiro de 2011

O teimoso

Ele sofre em silêncio, presa na garganta, arranhando o peito de quem sente demais e fala de menos. Teimoso, não aceita caminhos diferentes não se dobra à pressa, prefere sangrar devagar a sair pela metade. Quem ajuda o teimoso também sofre: insiste, cai, tenta de novo, porque sabe — mesmo cansado — que algumas dores só aprendem a respirar quando viram costas. Teimoso porque insiste. Ingrato porque não aprende. Sofre sem plateia, sem prêmio, sem sentido claro. Não é mártir. Não é forte. É só alguém que continua quando já devia ter parado. O teimoso ingrato finge esquecer quem sempre foi aliado. Vira as costas quando tudo está bem, ignora quem esteve presente todas as vezes em que tudo parecia desabar. Recebe tudo como se fosse obrigação. Nunca é suficiente. Nunca é reconhecido. Mesmo sustentando sozinha, ele acredita que está presente. A outra aguenta até onde dá. Depois para. E vai embora. O que mais dói no teimoso não é a perda — é ver nos braços de outro o brilho que um dia foi seu. Ali a máscara cai. Ele entende, tarde demais, que a mulher certa não fica disponível para sempre.

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