domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dor e Despedida

O verso já não nasce do amor, nasce da ferida que ficou. O dia em que deixo de ser quem sou para ti, é o dia em que aprendo a fechar os olhos sem esperança. Quando os fecho, aparecem-me milhares de pessoas, vidas que seguem, mas é só a tua ausência que sei reconhecer. Amei-te ao ponto de me perder em ti, e talvez por isso doa tanto ficar. Se eu partir para um lugar distante, não será fuga — será sobrevivência. Deixo-te os versos que nunca soubeste ler, e levo comigo o amor que não teve lugar. Se um dia olhares para o céu, não procures estrelas: o que brilha lá em cima é apenas o que de nós não soube ficar.

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