segunda-feira, 18 de abril de 2011

Este inferno de amar

Amar é existir em contradição: viver e arder ao mesmo tempo. É este inferno de amar como eu amo — sem escolha, sem salvação. Esta chama que me consome chama-se vida. A mesma que cria, destrói. A mesma que oferece luz cobra dor como preço. Em que instante amar se transformou em castigo? O meu peito arde, não por excesso, mas por impossibilidade: amar e não saber onde pousar esse amor. Lembro-me de um dia claro, sol aberto, os olhos cheios de brilho, quando ainda acreditava que amar era promessa e não sentença. Amar alguém fere a mente, cansa o pensamento, corrói a paciência. Exige uma força quase desumana para suportar o que não se pode vencer. Amar é lutar contra algo que não quer ser derrotado. Porque tem de ser assim? Não sei. Talvez amar seja a forma mais elegante de sofrer conscientemente. A vida é isto: um intervalo entre o desejo e a perda. E amar — o mais belo e cruel dos erros humanos.

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