segunda-feira, 18 de abril de 2011

Família (juramento de sangue e luz)

Família não se escolhe. É destino escrito antes do choro, antes da primeira dor. Pode ser ferida ou salvação. A minha foi salvação. Mãe — teu amor manteve-me viva quando eu já não sabia como respirar. Irmãos — vocês foram braços quando o mundo me empurrou para o chão. Se hoje ainda existo, é porque vocês existiram em mim primeiro. Amo-vos com um amor que dói, que rasga o peito e mesmo assim não cede. Um amor que não pede descanso, não pede recompensa, não conhece abandono. Vocês são a razão pela qual eu não desisti, pela qual lutei contra a escuridão com as mãos nuas. Queria ser muro contra o mal, queria ser lâmina contra a injustiça, queria ser sombra protetora quando o medo vos rondar. Que toda a dor venha para mim. Que todo o perigo me encontre primeiro. Que nenhuma lágrima vossa caia sem que seja minha também. Mãe. Meus irmãos. Contem comigo até ao último fôlego. Na alegria, na ruína, no silêncio. Nunca vos deixarei. Por vocês eu ardo, eu sangro, eu enfrento o fogo sem pedir perdão à vida. Porque amor de família não se explica — vive-se, defende-se, e morre-se por ele se for preciso.

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