domingo, 10 de abril de 2011

Querido

Aqui estou, só eu e a noite, entre chuva e neve que caem como lembranças. A lua persiste, testemunha silenciosa, enquanto meu coração vagueia, inquieto, sem sono, sem ti. Lembrei-me de uma canção antiga, aquela que ouvíamos juntos, e sinto-me perdida, como se cada nota fosse uma estrada que se desfaz entre meus dedos. O tempo estica-se, cruel, e cada hora, cada minuto, pesa como neve sobre o meu peito. Estou sozinha, mas procuro-te, em cada estrela que cintila no céu, imaginando-as como passarinhos luminosos que atravessam a noite para me levar até ti. Sinto-te longe, mas presente, em cada sopro do vento, em cada sombra que dança, e fecho os olhos, na esperança de que, mesmo no silêncio, o universo nos una onde a distância não existe, onde apenas há nós, eternos, entrelaçados, como estrelas que nunca caem.

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