quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mágoas

Caminho plena por uma estrada escura, cansada desta vida que pesa mais do que devia. Carrego mágoas intensas, feridas que a memória não esquece, uma dor cruel que insiste em ficar. Até a última gota das minhas lágrimas arde quando toca o sol, como se até o choro tivesse aprendido a sofrer. Só de falar nisso, tremo — o corpo lembra‑se do que a alma tenta esconder. Quero voltar atrás. Quero acordar deste pesadelo. Há dias em que já não sei se ele algum dia terá fim, se a noite aceitará dar lugar à manhã. Não quero continuar calada, por mais que me peçam silêncio. A minha voz também sangra, e precisa existir. Quero sair desta escuridão violenta, romper o medo, respirar outra vez. Mesmo cansada, mesmo ferida, ainda procuro a luz que me devolva a mim.

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